Anbima Lança Primeiro Ranking de Influenciadores Financeiros Certificados no Brasil
A Anbima, em parceria com o Ibpad, divulgou seu ranking inaugural de influenciadores financeiros ('finfluencers') certificados, visando aumentar a transparência e destacar profissionais qualificados. A iniciativa surge em meio à crescente dependência de investidores em mídias sociais para informações financeiras e debates legislativos sobre a regulamentação de criadores de conteúdo.
The Bottom Line
- A Anbima do Brasil, em parceria com o Ibpad, divulgou seu ranking inaugural de influenciadores financeiros ('finfluencers') certificados, visando aumentar a transparência e destacar profissionais qualificados.
- A iniciativa surge em um momento em que plataformas de mídia social como YouTube e Instagram dominam crescentemente os canais de informação de investidores, superando fontes tradicionais.
- O ranking coincide com discussões legislativas, incluindo o PL 5.990/2025, que propõe regulamentações mais rigorosas para criadores de conteúdo em áreas especializadas como finanças.
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em colaboração com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), publicou seu primeiro ranking de influenciadores financeiros certificados. Esta 10ª edição do levantamento Finfluence, divulgada em 1º de junho de 2026, mapeia os dez principais influenciadores com certificações Anbima e os dez principais com o certificado CFP (Certified Financial Planner), referência internacional e concedido no Brasil pela Planejar.
O levantamento também inclui um ranking geral de criadores sem o filtro de certificação formal, no qual apenas um possui credenciais reconhecidas pelo mercado. No ranking geral, lideram Bruno Perini (Voce Mais Rico), Charles Mendlowicz ('Economista Sincero') e Ricardo Amorim. Entre os influenciadores certificados pela Anbima, os sócios da Suno, Tiago Reis e Felipe Tadewald, ocupam a primeira e a segunda posição, respectivamente, seguidos por Roberto Guedes ('Viver de Rendimentos'). O ranking da Planejar é liderado por Renato Breia (Nord Investimentos), seguido pelos gestores de patrimônio Ramiro Gomes Ferreira e Daniel Carraretto.
Foram monitorados 904 influenciadores entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2025. A posição de cada um foi definida com base em critérios quantitativos e qualitativos a partir de perfis no Instagram, Facebook, YouTube e X (antigo Twitter). As métricas consideradas incluíram popularidade (número médio de seguidores), engajamento médio, frequência de postagens, domínio sobre os assuntos abordados e capacidade de criar conexões com o mercado, o público e outros influenciadores. Qualitativamente, pesaram reputação e aderência às boas práticas, como conformidade com normas sobre divulgação de produtos, promessas de enriquecimento rápido, discursos de ódio e vínculos com jogos de azar.
A Anbima informou que três influenciadores foram retirados das listas por disseminarem comentários misóginos durante o período analisado. O objetivo da entidade é dar mais visibilidade a profissionais com capacitação técnica e ampliar a transparência sobre quem produz conteúdo de finanças, embora a certificação não seja garantia absoluta de qualidade e ética.
Este ranking surge em um período de transformação na forma como os brasileiros se informam sobre investimentos. Segundo a 9ª edição do Raio-X do Investidor da Anbima, o YouTube é o canal preferido para 35% dos investidores, seguido por Instagram (27%), TV (21%), buscadores (20%) e portais/sites (15%). Os finfluencers deixaram de ocupar um espaço periférico para se tornar agentes que influenciam significativamente a composição de carteiras. Concomitantemente, aumentaram as preocupações sobre conflitos de interesse, publicidade disfarçada e promessas de ganhos rápidos. Amanda Brum, executiva da Anbima, afirmou que a intenção é ampliar a transparência e 'prestar um serviço para o investidor que quer seguir influenciadores com qualificação formal'.
A publicação da lista também se alinha com os debates em curso no Congresso Nacional sobre a regulamentação das redes sociais. Propostas, como o Projeto de Lei 5.990/2025, visam restringir influenciadores de publicar conteúdos sobre temas especializados como finanças e saúde sem as devidas credenciais, estendendo-se além das regulamentações existentes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para assessores de investimentos.
Impacto de mercado
Impacto no Mercado
Neutro para o mercado de ações brasileiro em geral ($EWZ). Embora o ranking da Anbima vise profissionalizar o conteúdo financeiro e fomentar maior confiança dos investidores, seu impacto direto nos preços dos ativos é provavelmente limitado. A iniciativa apoia uma base de investidores mais informada, potencialmente levando a fluxos de investimento mais sustentáveis e riscos reduzidos associados à desinformação a longo prazo.
Neutro para as instituições financeiras brasileiras. O aumento da transparência e da educação do investidor pode contribuir para um ambiente de mercado mais saudável, beneficiando as instituições ao fomentar a confiança e potencialmente atrair mais participantes para produtos de investimento regulamentados.
Neutro para criadores de conteúdo financeiro individuais. Finfluencers certificados podem ganhar maior visibilidade e credibilidade, potencialmente aumentando sua audiência e influência. Por outro lado, criadores não certificados podem enfrentar maior escrutínio ou potenciais obstáculos regulatórios, especialmente se a legislação proposta, como o PL 5.990/2025, avançar, o que poderia restringir sua capacidade de publicar conteúdo sobre tópicos financeiros especializados sem as devidas credenciais.
Pulso do mercado
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