Juros Futuros Brasileiros Caem com Alívio no Petróleo em Meio a Tensões Geopolíticas
Juros futuros brasileiros caíram, especialmente nos vencimentos intermediários, impulsionados pelo arrefecimento dos preços do petróleo, apesar das tensões EUA-Irã, reforçando expectativas de cortes contínuos na Selic.
Em 15 segundos
- DI Jan 2027 rate fell from 14.04% to 13.990%
- Brent crude fell 2.20% to $76.30/barrel
- WTI crude fell 1.96% to $72.08/barrel
- Economist forecast Selic rate at 13.25% by year-end
The Bottom Line
- Os juros futuros brasileiros registraram quedas generalizadas, com os vencimentos intermediários liderando o movimento, à medida que os preços internacionais do petróleo recuaram.
- A aversão ao risco geopolítico diminuiu, apesar das trocas contínuas entre EUA e Irã, pois os participantes do mercado percebem esforços para evitar um conflito em larga escala.
- Analistas preveem que o Banco Central do Brasil (Copom) continuará seu ciclo de cortes da Selic, projetando 13,25% até o final do ano, com impacto limitado da inflação do petróleo.
Os juros futuros encerraram em queda nesta quinta-feira, com mais intensidade nos vencimentos intermediários. Este movimento foi impulsionado principalmente pelo arrefecimento dos preços do petróleo no mercado internacional. Apesar da continuidade dos ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, a commodity acomodou parte da forte alta registrada na véspera, reduzindo a aversão a risco e levando o mercado a devolver parte da abertura das taxas observada na sessão anterior.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 teve leve queda, de 14,04% para 13,990%. A do DI de janeiro de 2028 cedia de 14,17% a 14,020%; a do DI de janeiro de 2029 tinha baixa de 14,36% para 14,205%; e a do DI de janeiro de 2031 recuava de 14,455% a 14,340%.
Mesmo com as incertezas em torno da continuidade da guerra no Oriente Médio, os contratos futuros do petróleo terminaram em queda. O Brent, referência mundial, com vencimento em setembro, recuou 2,20%, para US$ 76,30 por barril, enquanto o WTI, referência americana, com entrega para agosto, caiu 1,96%, para US$ 72,08.
As tensões entre Washington e Teerã seguem elevadas, com o lançamento de mais uma ofensiva militar americana contra o território iraniano na noite de quarta-feira. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado bases ligadas aos Estados Unidos em países do Golfo. Ainda assim, a percepção de parte do mercado é de que ambos os lados buscam evitar um conflito em larga escala.
O economista sênior do Inter, André Valério, compartilha dessa avaliação e afirma que não espera uma deterioração significativa do cenário, nem um fechamento do Estreito de Ormuz, apesar das ameaças do Irã. Segundo ele, embora Washington tenha revogado a autorização concedida a Teerã para vender petróleo, a medida apenas impede a compensação das transações em dólar, sem inviabilizar as exportações iranianas para a China. "A nossa premissa é que alguma estabilidade, ainda que frágil, seja alcançada, o que evitaria uma deterioração significativa do preço do petróleo", afirma.
Na avaliação do economista, os impactos sobre a inflação e a política monetária tendem a ser limitados, já que o risco de uma interrupção relevante da oferta global de petróleo permanece reduzido. Com isso, ele mantém a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não volte a elevar os juros no curto prazo e de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central siga com o ciclo de cortes da Selic, levando a taxa para 13,25% ao fim do ano. "Não descartamos o risco de uma pausa precipitada no ciclo de cortes da Selic, especialmente na ocorrência de um Super El Niño, como previsto. Mas esperamos que esse impacto negativo se concentre em 2027, sem afetar a inflação do horizonte relevante, o que permitiria, na nossa visão, ao Copom prosseguir com o ciclo de calibração ao longo deste ano", acrescenta.
Os rendimentos dos Treasuries também recuaram nesta quinta-feira, reforçando o alívio na renda fixa local. Por volta das 18h, o rendimento da T-note de dez anos caía de 4,577% para 4,558%, enquanto o da T-bond de 30 anos recuava de 5,078% para 5,068%.
Além do cenário externo mais favorável, o mercado recebeu bem o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional. Após a oferta da semana passada pressionar as taxas, a operação desta quinta-feira indicou que o Tesouro mapeou bem a demanda dos investidores, favorecendo o desempenho da curva de juros. O Tesouro vendeu a totalidade da oferta, colocando 9 milhões de LTNs, com volume financeiro de R$ 6,68 bilhões, e 4,15 milhões de NTN-Fs, que movimentaram R$ 3,50 bilhões. O resultado ficou em linha com a expectativa do operador de renda fixa da Necton Investimentos, Marcus Soares, que antes do leilão avaliava que a abertura moderada da curva de juros e o fluxo observado no mercado secundário sustentariam uma demanda consistente, especialmente nos vencimentos intermediários.
Impacto de mercado
Impacto no Mercado
Renda Fixa Brasileira: Bullish. A queda nas taxas de juros futuras, especialmente nos vencimentos intermediários, sinaliza uma redução do prêmio de risco e uma melhora no sentimento. Isso é reforçado pelo alívio nos preços globais do petróleo e por um leilão bem-sucedido do Tesouro Nacional, que atendeu à demanda dos investidores por títulos prefixados. A perspectiva para as taxas locais é construtiva, apoiando as valorizações dos títulos.
Renda Fixa Global: Neutro a ligeiramente Bullish. A queda simultânea nos rendimentos dos Treasuries dos EUA (T-note de 10 anos de 4,577% para 4,558%) reflete uma diminuição mais ampla da aversão ao risco e expectativas de inflação potencialmente moderadas, proporcionando um cenário de suporte para os mercados globais de títulos.
Commodities (Petróleo): Neutro. Embora os preços do Brent e do WTI tenham caído 2,20% e 1,96%, respectivamente, as tensões geopolíticas subjacentes entre EUA e Irã persistem. A percepção do mercado de que ambos os lados buscam evitar um conflito em larga escala oferece um alívio temporário, mas a volatilidade continua sendo um fator chave. Nenhum ticker de ações específico é diretamente impactado por este movimento de commodity no contexto deste relatório.
Ações Brasileiras: Bullish. Um ambiente de taxas de juros em declínio geralmente suporta as avaliações de ações, especialmente para setores sensíveis a juros. A expectativa de cortes contínuos na taxa Selic pelo Copom (previsão de 13,25% até o final do ano) aumenta a atratividade das ações brasileiras para investidores que buscam crescimento e rendimento.
Real Brasileiro ($BRL): Neutro. O impacto na moeda é misto. Embora taxas de juros domésticas mais baixas possam reduzir o carry appeal para investidores estrangeiros, o alívio do risco geopolítico e uma perspectiva de inflação mais estável podem fornecer algum suporte. O sentimento geral para o $BRL é equilibrado, dependendo de novos desenvolvimentos no apetite global por risco e na política monetária local.
Fonte: valor.globo.com
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